Eneagrama, Tarot e Cabala: três linguagens para compreender a alma humana
- 10 de nov. de 2025
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Ao longo da história, diversas tradições procuraram compreender os movimentos da psique humana e os caminhos que aproximam cada pessoa da sua própria essência. Entre elas, o Eneagrama, o Tarot e a Cabala destacam-se pela profundidade simbólica e pela capacidade de traduzir, em imagens e estruturas claras, aquilo que tantas vezes sentimos sem saber nomear.
Embora tenham origens distintas, estas três linguagens convergem num ponto essencial: todas exploram a relação entre sombra e luz, paixão e virtude, potencial e bloqueio. Quando colocadas lado a lado, revelam um mapa integrado do desenvolvimento humano, claro, simbólico e profundamente transformador.
Eneagrama: a paixão que nos prende, a virtude que nos liberta
O Eneagrama descreve nove tipos de personalidade, cada um marcado por uma paixão emocional (aquilo que distorce a presença) e por uma virtude (a expressão mais elevada desse mesmo tipo).Não se trata de rotular, mas de reconhecer a motivação central que impulsiona cada pessoa e compreender como evoluir do impulso reativo para a expressão consciente.
Tarot: os arquétipos que narram o percurso interior
Os Arcanos Maiores do Tarot, quando reduzidos numericamente de 0 a 9, oferecem nove arquétipos fundamentais que dialogam de forma harmoniosa com os nove tipos do Eneagrama. Estas cartas funcionam como espelhos simbólicos, iluminando os desafios, potencialidades e caminhos de integração de cada tipo de personalidade.
Por exemplo:
O Tipo 1 encontra ressonância no Papa, símbolo da ética e da disciplina interior;
O Tipo 4 encontra o seu espelho no Eremita, arquétipo da busca de identidade e significado;
O Tipo 9 volta novamente ao Eremita, mas agora confrontado com o desafio da presença encarnada, representada também pelo Imperador.
Cada arcano ajuda a compreender não só a sombra que limita, mas também a força que conduz à transformação.
Cabala: as Sephirot como caminho de consciência
A Cabala oferece um terceiro eixo de interpretação: as Sephirot, que representam qualidades divinas em manifestação. Cada tipo do Eneagrama pode ser compreendido à luz de uma energia cabalística que lhe corresponde:
Gevurah ensina ao Tipo 1 a disciplina compassiva;
Chesed recorda ao Tipo 2 que o amor verdadeiro não exige retorno;
Tiferet mostra ao Tipo 4 a beleza do equilíbrio interior;
Malkuth desafia o Tipo 9 a trazer a luz para a matéria, a transformar intenção em presença e presença em ação.
O resultado é um caminho espiritual onde a psicologia se encontra com o simbolismo, permitindo uma leitura mais rica e integrada do ser humano.
Uma possível integração dos três sistemas
Ao relacionarmos Eneagrama, Tarot e Cabala, observamos que cada tipo de personalidade manifesta:
uma paixão que distorce a percepção;
um arcano que espelha essa tensão e oferece um símbolo de integração;
uma sephirah que representa a qualidade espiritual a ser incorporada;
e uma virtude, que é o estado final de maturidade e presença.
Assim, o percurso não é apenas psicológico ou espiritual. é simbólico, vivencial e profundamente humano.
O exemplo do Tipo 9: da indolência à presença consciente
Tomemos como exemplo o Tipo 9, cuja paixão é a preguiça, não uma preguiça física, mas uma tendência para evitar conflito, adormecer a própria vontade e fundir-se com os outros para manter a paz.
O Eremita (IX) ilumina este movimento. O retiro, o silêncio e a introspeção são prazeres do 9, mas podem facilmente transformar-se em afastamento afetivo, ausência emocional e perda de direcção, razão pela qual alguns autores descrevem o Eremita como o «pai ausente».
A virtude do 9 é a presença ativa: a capacidade de agir com consciência, escolhendo participar no mundo em vez de se afastar dele. Aqui surge a energia do Imperador (IV), símbolo de encarnação, estrutura e governação tranquila.
A Sephirah Malkuth, que representa a manifestação e o mundo físico, reforça este convite à verdadeira luz do Eremita que só cumpre o seu propósito quando desce da montanha e se torna útil na vida concreta.
Assim, o caminho do 9 é o percurso entre interioridade e encarnação, entre paz interior e ação consciente.
Um mapa para a vida, não uma teoria abstrata
A integração entre Eneagrama, Tarot e Cabala não pretende criar uma doutrina única. Pelo contrário, oferece ao praticante, terapeuta, estudante de Tarot, buscador espiritual ou curioso sincero, um tríplice olhar sobre os próprios padrões, bloqueios e potencialidades.
A paixão mostra-nos onde caímos. A virtude inspira-nos o que podemos tornar-nos. O arcano revela como caminhamos. E a Cabala recorda-nos porque esse caminho é sagrado.
Numa época em que a transformação pessoal se tornou uma busca essencial, estas três linguagens simbólicas permitem uma leitura integrada, profunda e compassiva do que significa ser humano, com todas as suas fragilidades, tensões e possibilidades de luz.
Isabel Valente Gomes
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